AVES Lista
de aves observadas na Serra do Japi
As aves da Serra do
Japi se reproduzem no verão, época em que as espécies
migratórias são encontradas na região.
As primeiras espécies a se reproduzir são as frugívoras
e as insetívoras, seguidas das espécies
granívoras. As aves são importantes dispersores
de sementes, e um exemplo disso, a dispersão das sementes
do mandacaru, feita por um sanhaço, foi estudado na Serra.
Algumas espécies ameaçadas são avistadas
no Japi, o que aumenta sua importância conservacionista.
A avifauna da Serra do
Japi é rica, o que é intensificado por sua condição
de transição entre as matas de encosta litorâneas
e as matas do planalto paulista, e alguns exemplos ilustram
esse fato. Willis & Oniki (1981), trabalhando em 13 áreas
do Estado de São Paulo, observaram que o único
local onde a pomba-amargosa Columba plumbea,
típica da Serra do Mar, e a pomba-pocaçu C.
cayennensis, típica do interior do Estado, ocorrem
juntas é a Serra do Japi. Outro exemplo, de acordo
com Silva (1992), é o dos beija-flores Phaethornis
pretrei e P. eurynome. O primeiro ocorre no
interior do Estado e na Serra ocupa as áreas mais abertas,
enquanto que o segundo é comum na Serra do Mar e no
Japi habita as áreas de floresta.
Silva (1992), além
de apresentar uma lista da maioria das espécies de
aves da Serra do Japi, discute aspectos da composição
dessa avifauna em relação ao estado de conservação
da Serra, bem como fornece informações sobre
a época de reprodução e deslocamentos
migratórios dessas espécies. Este mesmo autor
(1983, 1988) estudou a dispersão de sementes de mandacaru
no Japi e observou que esta é feita por espécies
de aves.
As famílias Psittacidae,
Dendrocalaptidae, Cotingidae, Trogonidae e Ramphastidae são
compostas de espécies cuja dieta é relativamente
especializada, seja ela constituída de frutos, sementes
ou insetos. Essas famílias destacam-se entre as menos
representadas ou até mesmo ausentes na Serra do Japi,
o que pode ser um indicativo do alto grau de perturbação
dessa área. Grandes frugívoros como surucuás,
tucanos, arapongas, pavós e saíras podem ter
escasseado ou desaparecido da Serra por falta de alimento.
É possível que o Japi não possua uma
diversidade de espécies de árvores suficiente
para manter populações viáveis dessas
espécies, o que explicaria sua baixa freqüência
ou ausência.
A época reprodutiva
da maioria das espécies de aves da Serra do Japi ocorre
durante a estação chuvosa, de outubro a março,
quando há maior abundância de recursos (insetos,
frutos e sementes). Alguns exemplos de aves que se reproduzem
nessa época são a
mariquita-de-sobrancelhas-brancas Basileuterus
leucoblepharus, que constrói seu ninho no chão
da mata, e o joão-de-barro Furnarius rufus,
que constrói seu ninho em árvores nas áreas
abertas. Entre as aves noturnas, a mãe-da-lua Nyctibius
griseus é ouvida com freqüência nas
clareiras e bordas da mata nessa época. O andorinhão
Cypseloides fumigatos, uma exceção
a esse padrão, foi observado nidificando em abril,
início da estação fria e seca. De modo
geral, a reprodução das aves insetívoras
e frugívoras da Serra do Japi começa a declinar
em janeiro. Por outro lado esse mês representa o pico
de reprodução das aves granívoras, pois
é quando as sementes das gramíneas já
estão maduras e próprias para o consumo por
parte dessas aves, entre elas coleirinhos,
tizius, tico-ticos
e rolinhas.
A maioria das espécies
de aves migratórias da Serra do Japi permanece na área
apenas durante os meses de verão. Entre as principais
espécies que seguem esse padrão, destacam-se
o gavião-sauveiro Ictinea plumbea, o
taperá Chaetura andrei e a tesourinha
Muscivora tyrannus. A única ave migratória
observada regularmente no inverno é a maria-preta-de-bico-azulado
Knipolegus cyanirostris. Um estudo interessante
sugerido por Silva (1992) é a observação
de migrações verticais entre a mata de altitude
e a mata das áreas mais baixas da Serra, o que já
foi observado em outras montanhas do sudeste brasileiro.
Algumas das espécies
de aves encontradas na Serra do Japi correm sério risco
de desaparecimento em outras regiões de São
Paulo ou mesmo do país. O urubu-rei Sarcoramphus
papa, por exemplo, que tem sofrido uma drástica
redução populacional no Sudeste brasileiro,
foi avistado no Japi. Também foi avistado na Serra
o gavião-pega-macaco Spizaetus tyrannus,
já bastante raro no interior do Estado, bem como a
jacutinga Pipile jacutinga (DAngieri 1988),
que consta da lista de espécies ameaçadas do
Brasil.
Silva (1983, 1988) observou
que a dispersão de sementes no mandacaru Cereus
peruvianus na Serra do Japi é feita por aves.
Os frutos desse cacto, quando maduros, são suculentos
e apresentam coloração amarela, alaranjada ou
vermelha, características preferidas pelas aves frugívoras.
Foram observadas 17 espécies de pássaros visitando
a planta e consumindo os frutos, sendo o sanhaço Thraupis
sayaca a mais freqüente. Essa espécie é
apontada como o principal dispersor na área de estudo
em função da freqüência de suas visitas
e da capacidade de defecar sementes com condições
de germinar. Os fringilídeos Zonotrichia capensis
e Coryphospingus cucullatus são predadores
dessas sementes, pois a maioria delas parece ser destruída
no tubo digestivo dessas aves. Foram observados encontros
agressivos entre as espécies que visitaram a planta
e, no caso do sanhaço T. sayaca, um encontro
agressivo entre dois indivíduos dessa espécie.
M.S.A.
Espécies de aves observadas na Serra do Japi.
Referências Bibliográficas:
DANGIERI,
A. 1988. WPA Brazil. WPA News 21: 20.
SILVA,
W. R. 1988. Ornitocoria em Cereus peruvianus
(Cactaceae) na Serra do Japi, Estado de São Paulo.
Revta. Brasil. Biol. 48(2): 381-389.
SILVA,
W. R. 1983. Polinização e dispersão
de Cereus peruvianus Miller (Cactaceae) na Serra
do Japi, Estado de São Paulo. Dissertação
de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
SILVA,
W. R. 1992. As aves da Serra do Japi. In História
Natural da Serra do Japi: ecologia e preservação
de uma área florestal no sudeste do Brasil. (L.
P. C. Morellato org.), Editora da Unicamp, Campinas.
WILLIS,
E. O. & ONIKI, Y. 1981. Levantamento preliminar de aves
em treze áreas do estado de São Paulo. Revta.
Brasil. Biol. 41: 121-135.
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