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Fauna da Serra
do Japi <----volta
A
Serra do Japi representa uma dos últimos grandes fragmentos
de floresta contínua do Estado de São Paulo e é
coberta, em sua maioria, pelas florestas semidecíduas do Planalto
Paulista. Esse tipo de vegetação faz parte do que foi
definido, pelo Projeto de Lei no 285 de 1999, como Mata Atlântica,
com base no Mapa de Vegetação do Brasil de 1993 do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A floresta do
Japi apresenta também elementos da flora da Floresta Atlântica
das encostas da Serra do Mar, um outro tipo de vegetação
que também faz parte da Mata Atlântica, o que contribui
para sua enorme riqueza de espécies vegetais e caracteriza
a área como uma zona ecotonal, ou seja, de transição
entre dois tipos de ambiente. Essa riqueza florística, somada
à diversidade de ambientes da Serra, permitem que esta abrigue
uma fauna exuberante, com representantes dos principais grupos de
vertebrados e invertebrados. Além disso, o Japi está
ligado às matas da Serra da Mantiqueira e às matas do
interior do Estado, por meio da Bacia do Tietê, constituindo
um importante corredor para a fauna em geral e, em especial, para
a fauna migratória.
Entre os vertebrados mais estudados na Serra do Japi, estão
os anfíbios anuros e os répteis, seguidos dos mamíferos
e das aves. Os trabalhos têm enfocado aspectos da sua biologia
reprodutiva, seus hábitos alimentares e seus períodos
de atividade ao longo do dia e do ano. Até o momento, os peixes
ainda não foram estudados nessa localidade. Já entre
os invertebrados, os insetos e as aranhas têm sido os objetos
mais freqüentes dos estudos, e estes têm abordado principalmente
aspectos da reprodução, da alimentação
e do comportamento desses animais.
Atualmente, são conhecidas 24 espécies de
anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas)
pertencentes a cinco famílias para a Serra do Japi, um número
não muito alto em termos de Mata Atlântica. Uma dessas
espécies foi descrita em 1993 com base em indivíduos
coletados na área. Parte dessa anurofauna é comum às
Serras da Mantiqueira e do Mar, além de regiões adjacentes
de planalto, e estima-se que essa lista possa ser acrescida em cerca
de dez espécies, já que há alguns ambientes ainda
inexplorados na Serra. Sua anurofauna é relativamente bem estudada,
principalmente quanto à reprodução. Além
disso, foi descrita uma nova estratégia reprodutiva para os
hilídeos (pererecas), o que amplia o conhecimento científico
sobre esse grupo taxonômico. A distribuição das
espécies que vivem no chão da mata também foi
estudada, verificando-se a influência da altitude e da distância
em relação a corpos dágua sobre esses sapos.
Os répteis da Serra (serpentes,
lagartos e cobras-cegas) foram estudados, principalmente, quanto ao
período de atividade, aos hábitos alimentares e às
táticas defensivas, mas faltam informações sobre
sua biologia reprodutiva. Até o presente momento, foram registradas
13 espécies de serpentes pertencentes a duas famílias,
cinco espécies de lagartos pertencentes a quatro famílias
e uma espécie de anfisbena (cobra-cega), a maioria de ampla
distribuição no Brasil. O encontro de espécies
típicas de áreas abertas, como a cascavel, pode ser
indicativo de alterações do ambiente devidas à
ação antrópica.
Há 31 espécies de mamíferos
pertencentes a oito ordens e 19 famílias registradas para a
Serra do Japi. Com base na ocorrência de espécies em
regiões próximas e no fato de que as áreas mais
altas da Serra não foram amostradas, esse número é
provavelmente inferior à verdadeira riqueza de mamíferos
do local, que, estima-se, poderia quase dobrar com a realização
de levantamentos mais detalhados. Além disso, com exceção
dos morcegos, as ordens não foram extensamente estudados no
local, e a ocorrência de espécies dessas ordens, bem
como as informações sobre utilização do
ambiente e horário de atividade para essas espécies
basearam-se em observações casuais. Os trabalhos referentes
aos morcegos abordaram aspectos do horário de atividade, da
reprodução e dos hábitos alimentares das espécies.
Estudos de médio e longo prazos sobre as populações
de mamíferos da Serra seriam bons subsídios para o diagnóstico
e para o monitoramento da área. A presença de predadores
como a jaguatirica e, provavelmente, a suçuarana, além
de espécies endêmicas do Sudeste brasileiro, faz do Japi
uma importante área em termos conservacionistas.
Até o presente momento, há 206
espécies de aves registradas
para a Serra do Japi, e estima-se que esse número possa chegar
a 220. Parte dessas espécies é migratória, permanecendo
no Japi apenas nos meses de verão. Parte dessas espécies
são também encontradas na Floresta Atlântica da
Serra do Mar, na Serra da Mantiqueira e nas matas semidecíduas
do interior paulista, o que é mais um indicativo da condição
ecotonal da área. O fato de apenas metade das espécies
observadas serem típicas de florestas revela o elevado grau
de perturbação do local. No entanto, há espécies
de grande interesse científico no Japi pela falta de informações
a seu respeito, pelo fato de estarem ameaçadas em outras regiões
ou por constituírem bons indicadores de perturbação,
o que reforça a necessidade de estudos mais aprofundados. As
poucas informações existentes dizem respeito à
reprodução e à dispersão de sementes realizada
pelas espécies.
Finalmente, entre os invertebrados,
os grupos mais estudados no Japi foram as borboletas e os besouros
entre os insetos, e as aranhas entre os aracnídeos. Foram registradas
652 espécies de borboletas no Japi, e estima-se um total de
mais de 800 espécies. Entre essas, há espécies
nativas da Amazônia e até mesmo dos Andes, que, por vezes,
são muito raras no interior do Estado. Os principais aspectos
abordados nesses estudos foram o ciclo anual das espécies,
seus hábitos alimentares, seu comportamento, assim como a utilização
do ambiente. Além disso, foram feitos trabalhos enfocando as
interações inseto-planta, um assunto que abre vastas
possibilidades de pesquisa e que tem sido intensamente investigado
por pesquisadores de todo o mundo.
M.S.A. |