RÉPTEIS
Boa
parte dos répteis da Serra do Japi realiza suas atividades
durante o dia, mas há também uma série
de espécies noturnas. Eles podem ser encontrados na chão
da mata ou sobre a vegetação, ou ainda em áreas
abertas, onde se alimentam de invertebrados, no caso dos lagartos,
e de sapos, lagartos e ratos, no caso das serpentes. As serpentes
se defendem principalmente através do bote e da mordida,
esta última estratégia comum também entre
os lagartos. Algumas serpentes imitam a coloração
e o comportamento das corais-verdadeiras ou das jararacas para
afugentar seus predadores.
Essas
informações constam do capítulo de Sazima
& Haddad (1992), que traz uma lista das espécies
de répteis que ocorrem na Serra do Japi (ver Tabela),
além de informações sobre sua história
natural. Entre as serpentes do Japi, houve um predomínio
de colubrídeos, enquanto que entre os lagartos as famílias
estiveram quase que igualmente representadas, e apenas uma
espécie de anfisbena foi encontrada.
A
maioria das serpentes colubrídeas da Serra do Japi
são diurnas, subarborícolas (usam o chão
e a vegetação) e se alimentam de sapos, lagartos
e ratos. Algumas exceções são a dormideira
Dipsas bucephala, espécie noturna e que
se alimenta de lesmas e caramujos, e as falsas-corais Oxyrhopus
guibei e Erythrolamprus aesculapii, ambas
terrícolas (usam apenas o chão). Esta última
se alimenta de outras serpentes, incluindo a própria
O. guibei, além da cobra-dágua
Liophis miliaris. Já as serpentes viperídeas
são terrícolas e se alimentam basicamente de
ratos, apesar de que os jovens de B. jararaca podem
ser encontrados sobre a vegetação e se alimentam
principalmente de sapos.
Os
lagartos do Japi são todos diurnos e terrícolas,
com exceção da família Polychridae, que
é subarborícola. Alimentam-se basicamente de
artrópodes (insetos e aranhas), sendo que o teiú,
T. merianae, inclui ainda pequenos vertebrados (sapos
e lagartos) e frutos na sua dieta. A anfisbena A. alba,
ao que parece, é noturna e se alimenta de artrópodes
e pequenos vertebrados.
Algumas
espécies de répteis da Serra do Japi sobrepõem-se
parcialmente quanto ao horário de atividade e à
dieta e podem estar partilhando esses recursos. Esse tipo
de interação pode ocorrer, por exemplo, entre
O. guibei e adultos de B. jararaca, já
que ambas são noturnas e se alimentam de ratos. Suas
táticas de caça são diferentes, no entanto:
a coral percorre o ambiente à procura de presas, enquanto
que a jararaca permanece parada espreitando por elas. Essa
interação pode se dar também entre os
jovens de B. jararaca e L. miliaris, já
que ambos se alimentam de sapos. Um outro exemplo de sobreposição
se dá entre a caninana, S. pullatus, e P.
olfersii, ambas diurnas e comedoras de ratos, lagartos
(P. olfersii) e pássaros (S. pullatus).
As
táticas defensivas apresentadas pelas espécies
da Serra do Japi são variadas. Entre as serpentes,
as mais comuns foram o bote e a mordida, apresentadas por
quase todas as espécies, além de exibições
com elevação da região anterior do corpo,
com a cauda ou ainda com o escancaro da boca. Bothrops
jararaca e S. pullatus estão entre as
serpentes da Serra com comportamento defensivo mais elaborado.
Entre os lagartos do Japi, a mordida é uma tática
difundida, assim como a camuflagem e o desprendimento da cauda
quando esta é segura. O teiú apresenta um comportamento
defensivo elaborado, podendo inflar e elevar o corpo e bufar
ao se sentir ameaçado, além de arranhar, morder
e golpear o agressor com a cauda quando capturado. A anfisbena,
para se defender, assume uma postura de "ferradura"
com a cauda e a cabeça levantadas e a boca escancarada
e, quando morde, gira em torno do seu próprio eixo
produzindo movimento de torção no objeto abocanhado.
Esses
autores sugeriram algumas interações
miméticas entre algumas espécies de serpentes
da Serra do Japi. As espécies X. neuwiedi e
D. bucephala assemelham-se a B. jararaca tanto
no padrão de coloração quanto nas exibições
defensivas, sendo que D. bucephala intensifica sua
semelhança por meio da capacidade de triangular a cabeça
durante essas exibições. Na natureza, elas podem
ser confundidas com B. jararaca e não é
por acaso que também são conhecidas popularmente
como jararacas. Outros possíveis miméticos encontrados
na Serra são as corais falsas O. guibei e E.
aesculapii, pois ambas apresentam padrão de coloração
semelhante ao das corais verdadeiras (serpentes do gênero
Micrurus). No caso de E. aesculapii, essa semelhança
se estende também ao comportamento defensivo.
M.S.A.
Referências
Bibliográficas:
SAZIMA,
I. & HADDAD, C. F. B. 1991. Répteis da Serra
do Japi: notas sobre história natural. In História
natural da Serra do Japi: ecologia e preservação
de uma área florestal no sudeste do Brasil. (L.
P. C. Morellato org.), Editora da Unicamp, Campinas.
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Espécies
registradas na Serra do Japi.
Dados
obtidos de Sazima & Haddad (1992).
Família
Espécie,
(nome popular)
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Serpentes
Colubridae
Chironius
bicarinatus, (cobra-cipó)
Chironius
exoletus, (cobra-cipó)
Dipsas
bucephala, (dormideira, jararaca)
Erythrolamprus
aesculapii, (coral, cobra-coral)
Liophis
miliaris, (cobra-dágua)
Oxyrhopus
guibei, (coral, cobra-coral)
Philodryas
olfersii, (cobra-verde)
Philodryas
patagoniensis, (parelheira)
Rhadinaea
affinis
Spilotes
pullatus, (caninana)
Xenodon
neuwiedii, (boipeva, jararaca)
Viperidae
Bothrops
jararaca, (jararaca)
Crotalus
durissus, (cascavel)
Lagartos
Gymnophtalmidae
Pantodactylus
schreibersii
Polychridae
Enyalius
iheringii, (camaleão)
Urostrophus
vautieri
Scincidae
Mabuya
frenata, (lagartixa)
Teiidae
Tupinambis
merianae, (teiú, lagarto)
Anfisbena
Amphisbaenidae
Amphisbaena
alba, (cobra-cega, cobra-de-duas-cabeças)
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